A Polícia Federal começou a desbaratar um esquema de fraudes envolvendo emendas parlamentares e ex-deputados federais sem assento no Congresso Nacional que determinavam o destino dos recursos públicos de acordo com seus interesses políticos. Neste final de semana, vieram à tona casos envolvendo duas raposas da política que, mesmo sem mandato, coordenaram o envio de dezenas de milhões de reais a bases eleitorais. De acordo com a PF, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, teria encaminhado cerca de R$ 119 milhões para diferentes municípios brasileiros por meio de emendas de deputados federais que seguiam suas ordens. Segundo a apuração, a maior parte desses recursos já foi liberado. Outro que se utilizava do mesmo expediente era o ex-presidente da Câmara e candidato a deputado federal por Minas Gerais, Eduardo Cunha (Republicanos-MG), que teria enviado R$ 6 milhões para municípios mineiros.
A PF informou ao
Supremo ter identificado indícios de que a Presidência da Câmara dos Deputados
tinha conhecimento e deu aval ao direcionamento de emendas parlamentares
piratas utilizadas por Cunha e Valdemar. Os investigadores apontam que a
ex-assessora da presidência da Casa, Mariângela Fialek, conhecida como Tuca,
era responsável por operacionalizar as indicações e afirmam que ela atuava com o
“pleno aval” da cúpula da Câmara. No relatório, a corporação afirma que as
evidências revelam um “altíssimo grau de promiscuidade” na gestão das emendas.
(Metrópoles)
No caso de Valdemar,
diálogos encontrados no celular de Tuca, na Operação Transparência, deflagrada
em dezembro de 2025, apontam como ele distribuía os recursos. Garigham Amarante
Pinto, advogado com cargo especial na liderança do PL, questiona, em 25 de
agosto de 2025: “Marquei com o Valdemar amanhã 10:30. Acho que ele vai jogar
no turismo os 24. Pode ser?”. No dia seguinte, vem a cobrança: “Fechou o
valor do Pres. Valdemar?”. A defesa de Valdemar diz ainda que “é
natural e legítimo” que um presidente partidário dialogue com
parlamentares, “defenda prioridades programáticas, articule interesses
nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada”. (g1)
Um levantamento do Globo revelou
que, dos R$ 119 milhões em emendas indicadas por Valdemar Costa Neto, R$ 97
milhões foram enviados na semana anterior ao limite para envio de recursos
federais antes das eleições municipais de 2024, na tentativa de fortalecer
candidatos do PL ou apoiados pelo partido no pleito. (Globo)
Já o presidente da Câmara dos
Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou a decisão de Flávio Dino
que bloqueou bens do presidente do PL e classificou a medida como uma “indevida
intervenção judicial”. Em nota, Motta afirmou que a decisão não aponta desvio
ou aplicação irregular de recursos públicos e acusou o STF de tentar
“criminalizar a atividade política”. Segundo o presidente da Câmara, a
destinação das emendas parlamentares ocorreu em conformidade com as regras
vigentes e com os acordos firmados entre os Poderes. (CNN Brasil)
Eduardo Cunha, por sua
vez, negou ter cometido irregularidades no direcionamento de emendas
parlamentares. Em nota divulgada por sua defesa, Cunha afirmou que não foi
intimado nem ouvido antes da decisão que determinou o bloqueio de seus bens e
contestou as conclusões da investigação. Segundo os advogados, o ex-deputado
não exerce mandato parlamentar desde 2016 e, por isso, “não apresentou,
subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas”. A defesa sustenta
que todas as indicações foram oficialmente realizadas por parlamentares em
exercício e afirma que não há elementos que justifiquem a responsabilização de
Cunha no caso. (Poder360)
(Informações: Portal Meio)
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