Assembleia Legislativa do Maranhão

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Poluição farmacêutica desafia a indústria da saúde a ir além do cumprimento legal

Por Eduardo Mangione

Descarte incorreto de medicamentos contamina água e solo no Brasil, mas iniciativas de logística reversa no setor farmacêutico mostram que é possível reverter esse cenário.


Comprimidos jogados no vaso sanitário, xaropes descartados na pia, caixas de medicamentos vencidos no lixo doméstico. O que parece um gesto trivial do cotidiano esconde um problema ambiental ainda pouco percebido: a contaminação de corpos hídricos e do solo por resíduos farmacêuticos.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) mostram a dimensão do mercado farmacêutico brasileiro, que movimentou cerca de R$ 160 bilhões em 2024. Diante desse cenário, o descarte adequado de medicamentos ganha relevância não apenas do ponto de vista da saúde pública, mas também da preservação ambiental.

E esse desafio não se restringe ao Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem alertado para os impactos da poluição por resíduos farmacêuticos, especialmente pela contribuição desses contaminantes para a resistência antimicrobiana e pelos riscos aos ecossistemas aquáticos. A presença de antibióticos no ambiente, por exemplo, pode favorecer a seleção de microrganismos resistentes, enquanto determinadas substâncias são capazes de provocar alterações em espécies da fauna aquática.


No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e prevê a implementação de sistemas de logística reversa. Já a RDC nº 222/2018 da ANVISA reúne diretrizes para o gerenciamento dos resíduos dos serviços de saúde.

Apesar dos avanços regulatórios, especialistas apontam que a conscientização da população e a ampliação da rede de coleta ainda representam desafios importantes.

“Muitas pessoas ainda descartam medicamentos no lixo comum ou na rede de esgoto sem conhecer os impactos ambientais desse hábito. Dependendo da substância, esses resíduos podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de afetar ecossistemas aquáticos”, afirma Bianca Gomes, especialista em Engenharia Ambiental e Sanitária ESG do Grupo EP.

Diante desse contexto, cresce a expectativa para que as empresas da área da saúde avancem além do cumprimento das exigências legais e desenvolvam ações capazes de gerar benefícios ambientais mensuráveis. É nesse cenário que casos como o da epharma, empresa do Grupo EP e líder em Programas de Benefício em Medicamentos (PBM), ganham relevância.

Em 2025, a companhia afirma ter evitado a contaminação de aproximadamente 15,3 bilhões de litros de água por meio de seu programa de descarte inteligente de medicamentos. O cálculo considera as 34 toneladas de resíduos farmacêuticos coletados e destinados adequadamente ao longo do período, por meio de uma rede composta por 296 pontos de coleta distribuídos pelo país.

“Existe uma mudança importante em curso na área da saúde. Sustentabilidade deixou de ser apenas uma agenda corporativa e passou a envolver acesso, educação e impacto social. O descarte correto de medicamentos faz parte dessa transformação”, afirma Eduardo Mangione, CEO do Grupo EP.

Além da operação de coleta, a epharma promove ações de conscientização em instituições de ensino, buscando ampliar o conhecimento da população sobre os riscos associados ao descarte inadequado. A combinação entre logística reversa e educação ambiental é apontada por especialistas em ESG como um elemento essencial para uma gestão mais eficiente dos resíduos farmacêuticos.

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