domingo, 30 de agosto de 2026

GIRO ECONÔMICO: Inflação dá trégua com recuo no IPCA-15

A última semana de agosto termina com sinais mistos para a economia brasileira. De um lado, indicadores de preços confirmam um alívio momentâneo no bolso do consumidor, impulsionados pela deflação na prévia da inflação oficial e no atacado. 


De outro, o mercado financeiro revisou para baixo as perspectivas de crescimento da atividade econômica para o encerramento do ano, mantendo um tom de cautela diante das condições monetárias e globais.

Inflação e Política Monetária

  • Deflação no IPCA-15: A prévia da inflação oficial (IPCA-15) registrou queda de 0,40% em agosto. O resultado foi impulsionado pelo recuo nos preços dos alimentos no domicílio e por itens de habitação e energia, levando o índice acumulado em 12 meses para 4,24%.

  • Recuo do IGP-M: O Índice Geral de Preços – Mercado caiu 0,22% no mês, acentuando o alívio nos custos do atacado e contratos reajustados pelo indicador.

  • Boletim Focus e Selic: O relatório semanal do Banco Central mostrou estabilidade nas expectativas para a Selic ao fim do ano (13,75% a.a.), enquanto a estimativa do IPCA permaneceu em 5,02%.

Atividade Econômica e Emprego

  • Revisão do PIB: Os analistas consultados pelo Banco Central ajustaram a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 para 1,85% (ante 1,98% na semana prévia), refletindo a desaceleração da atividade econômica diante dos juros elevados.

  • Demografia: O IBGE divulgou novas estimativas populacionais mostrando que a taxa de crescimento da população brasileira desacelerou para 0,37% em 2026, um dado estrutural relevante para análises de mercado de trabalho e consumo no longo prazo.

"O arrefecimento dos índices de preços na metade deste trimestre traz uma margem de alívio importante para o poder de compra, embora a sustentabilidade dessa trajetória continue dependendo da dinâmica do câmbio e do cenário fiscal no encerramento do ano."


Mercados e Câmbio

  • Cotação do Dólar: O mercado de câmbio operou sob volatilidade ao longo dos últimos dias, com a moeda norte-americana oscilando na casa dos R$ 5,15 a R$ 5,20, acompanhando o cenário de juros internacionais e os dados fiscais domésticos.

  • Ibovespa: A bolsa de valores brasileira manteve trajetória de busca por sustentação, reagindo positivamente aos números deflacionários da semana, embora contida pelo cenário externo e fiscal.

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